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A interferência da velocidade de máquina na qualidade da impressão flexográfica

A interferência da velocidade de máquina na qualidade da impressão flexográfica

Por Rodrigo Duarte * 

 

O sistema de impressão flexográfica vem obtendo cada dia mais crescimento significativo e evoluindo fortemente devido aos investimentos feitos na área de tecnologia desta indústria. Novos produtos são lançados a cada ano sempre visando à melhoria na qualidade da impressão e também em ganho de produtividade. Exemplos são as melhorias contínuas dos fotopolímeros, sistemas de gravação, tintas, dupla-face, anilox, impressoras, entre vários outros.

A melhoria do processo como um todo traz junto a ela novas oportunidades para a indústria de flexografia, mas também, muitos desafios. Um deles é manter a qualidade da impressão com o aumento da velocidade de trabalho das impressoras para ganho significativo em produtividade. Produzir em maiores velocidades tem sido possível devido aos avanços tecnológicos, dentre eles a evolução das máquinas com engrenagens para as impressoras gearless que a cada dia ganham mais espaço no mercado.

Na maioria das vezes, não é simples aumentar a velocidade de impressão sem que a qualidade do trabalho seja alterada e, na maioria das vezes, é notável o aparecimento de micro furos nos sólidos e formação inadequada da retícula em altas velocidades. Para melhor entendimento desse fenômeno foi feito um estudo para avaliar a relação da fita dupla-face com a velocidade de máquina, considerando como resultado a qualidade da impressão que foi medida em densidade de tinta no substrato. Para iniciarmos o entendimento, observe na Imagem 1, a curva típica de impressão para 8 densidades diferentes de fita dupla-face para velocidade de máquina a 300 m/min.

Por meio desse gráfico, nota-se claramente que fitas de maior densidade transferem mais tinta para o substrato (maior densidade de tinta) e são recomendadas para impressão de sólidos e traços, enquanto as fitas mais macias são destinadas para impressão de retícula, sendo as intermediárias para impressão mista.

Para melhor análise da performance de impressão versus velocidade, foram feitas provas para 4 diferentes densidades de fita (alta, média, média-baixa e baixa) em 4 diferentes velocidades de máquina com as demais variáveis de processo constantes. A Imagem 2  mostram o comportamento da densidade de tinta no substrato em uma impressão com fita de alta densidade usando clichê digital e convencional.

 

Pode-se observar que não há diferença estatística na densidade de tinta no substrato analisando impressão de 5% até 100 % nas diferentes velocidades de máquina, o que nos faz concluir que a qualidade da impressão de sólido ou traços com fita de alta densidade não sofre alteração conforme se aumenta a velocidade da impressora. Assim sendo, não é necessária uma readequação da fita dupla-face no processo para impressão de sólidos usando fita de alta densidade em impressoras mais velozes. Isso pode ser notado mais claramente na Imagem 3.

Continuando a análise por densidade de fita, observe a Imagem 4, com gráficos de densidade de tinta no substrato em impressão com fita de média densidade.

Analisando as curvas de impressão desses gráficos, nota-se que não há diferença estatística na densidade de tinta no substrato em impressões de 5% até 80% de ponto teórico nas 4 diferentes velocidades. Isso quer dizer que, conforme se aumenta a velocidade de máquina, não haverá grandes diferenças na formação do ponto (ganho de ponto) em impressão mista com fita de média densidade não interferindo na qualidade do trabalho de cromia. Porém, há uma grande diferença no fechamento dos sólidos/densidade de tinta (100%) em velocidades mais altas. O resultado é o aumento dos micro-furos no chapado em trabalhos mistos em altas velocidades com fita de média densidade e uma consequente deficiência de impressão.

Desta forma, considerando o aumento de velocidade das impressoras para melhor produtividade, muitas vezes é necessária uma readequação da fita de média densidade para uma dupla-face ligeiramente mais dura (entre média-alta e média densidade). Essa readequação visa obter melhor fechamento dos sólidos e traços, com resultado similar à cobertura em impressões em menores velocidades, sem que sejam alteradas outras variáveis de impressão, como lineatura e bcm do anilox ou pressão de máquina. Uma dupla-face um pouco mais dura do que a fita de média densidade, em altas velocidades, irá compensar a perda de densidade de tinta nos sólidos (o que foi mostrado nas Imagens 5 e 6 com a fita de média) e manterá uma boa formação dos pontos para uma impressão da cromia de boa qualidade. A mesma análise também foi feita em impressão mista com predominância de retícula usando dupla-face de média-baixa densidade. Observe o gráfico na Imagem 5.

É possível perceber uma diferença estatística significativa na densidade de tinta desde 20% de ponto até 100% (sólidos) conforme se aumenta a velocidade da impressora. Isso mostra que em velocidades maiores há um menor ganho de ponto na retícula, o que é uma vantagem, entretanto, pode haver uma falta de cobertura de tinta na região central do ponto (veja isso a 600 m/min, na Imagem 6). Por outro lado, por se tratar de fita destinada para impressão mista, haverá muita perda na qualidade da impressão dos sólidos e traços (veja resultados em 100% na mesma Imagem).

Dessa forma, para não haver perda significativa em impressões mistas com predominância de retícula em relação aos sólidos e traços em velocidades maiores, muitas vezes é necessária uma adequação da fita de média-baixa para uma dupla-face ligeiramente mais dura (entre média e média-baixa densidade). Isso resultará em uma impressão mais densa dos sólidos e traços (menor concentração de micro-furos) e uma ótima formação da retícula (sem ganho de ponto excessivo), já que em velocidades maiores o ganho de ponto é reduzido. Isso fica mais claro analisando a Imagem 6.

Para um completo entendimento da relação velocidade de máquina versus qualidade de impressão, também foram feitos testes no estudo com fitas de baixa densidade. Confira esses testes na Imagem 7.

Nota-se que, para as impressões com fita de baixa densidade, somente há diferença estatística na densidade de tinta conforme se aumenta a velocidade de impressão a partir de 50% de ponto teórico. Na condição de trabalho com fita de baixa densidade para impressão de cromia em altas velocidades haverá um ganho de ponto insignificante. Porém, a retícula poderá apresentar falha de preenchimento de tinta na região central nos meio-tons e máximas, resultando em deficiente qualidade de impressão. Neste caso, muitas vezes é necessária a troca da fita de baixa densidade para uma ligeiramente mais dura (entre baixa e média-baixa densidade) para que haja uma melhor formação do ponto, ou seja, com preenchimento total da retícula com tinta e ganho de ponto mínimo.

Dessa forma, conclui-se que somente haverá necessidade de readequação de densidade de fita dupla-face no processo de impressões em velocidades mais altas, onde normalmente são usadas fitas de média, média-baixa e baixa densidade. O gráfico ilustrado na Imagem 8 comprova esta conclusão mostrando a queda na curva de densidade de tinta para a fita de média até a de baixa densidade na velocidade de 300 m/min (linha contínua) e 600 m/min (linha tracejada). Para esses casos, é necessário o uso de fitas um pouco mais dura, respectivamente, para não ter perda na qualidade de impressão e obter o ganho de produtividade imprimindo um trabalho em menos tempo. Onde é usada fita de alta e média-alta densidade não é necessária a readequação, pois não há interferência da velocidade de máquina na qualidade de impressão dos sólidos e traços. Ou seja, não há queda na densidade de tinta conforme se aumenta a velocidade da impressora.

Por meio das curvas apresentadas, também podemos perceber que quanto menor a densidade de fita, menor o ganho de ponto e menor cobertura de tinta no substrato, o que prova que fitas mais macias são recomendadas para impressão de retícula, enquanto as mais duras são indicadas para impressão de sólidos e traços. Ainda por meio do estudo realizado, notou-se que o ganho de ponto em geral é maior nos clichês convencionais e, por isso, para obter uma qualidade superior na impressão é mais recomendado o uso de clichês digitais.

Por fim, ainda podemos notar que o ganho de ponto em geral é maior nos clichês convencionais e, por isso, para obter uma qualidade superior na impressão é mais recomendado o uso de clichês digitais.

 

As provas de impressão (do estudo) foram realizadas com as seguintes condições de processo.

  Constantes

  Variáveis

  Impressora:

  W&H Novaflex CM

   4 velocidades de        impressão:

  240 m/min

  Anilox:

  Lineatura: 350

  360 m/min

  BCM: 2,8

  480 m/min

  Tinta:

  Magenta UV Flint RYR 41440

  600 m/min

  Clichê:

  Digital: 1,70 mm

  Dureza 58 Shore A

   4 densidades de fita    dupla-face          acolchoada

  Alta

  Convencional: 1,70 mm

  Dureza 60 Shore A

  Média

   Foram impressas 500 provas para estabilização do    trabalho antes da retirada das amostras

  Média-Baixa

 

  Baixa

 

 

 

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(*) Rodrigo Duarte

É formado em Engenharia Química. Foi treinado em flexografia, pelo Fox Valley Technical College, nos Estados Unidos. Atua há 4 anos na indústria flexográfica. Atuação como Engenheiro de Serviço Técnico da 3M do Brasil, para os mercados de papel e impressão.

 

 

Fonte: Revista Inforflexo Edição 108 – Set/Out de 2010

 

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