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LIMPEZA DO ANILOX, UMA PRÁTICA ESSENCIAL

LIMPEZA DO ANILOX, UMA PRÁTICA ESSENCIAL

Por Eudes Scarpeta *

 

SAIBA COMO REDUZIR OS CUSTOS COM TINTA E REGRAVAÇÃO POR MANTER UMA ROTINA DE LIMPEZA DE ANILOX, ESTE QUE É UM ITEM PRECIOSO DA IMPRESSORA

 

 

1 - Introdução

O anilox é um bem “consumível”, quer dizer, está na mesma condição da tinta, da faca, do solvente, da dupla-face, porém, há uma diferença importante a ser notada: o anilox demora mais para se desgastar, isto é, se a empresa possuir uma rotina eficaz de gestão do mesmo. Não é incomum as empresas terem um inventário de aniloxes desgastados, riscados ou com furos. É importante lembrar que este é o item mais importante na impressão e também o mais desconhecido pelos operadores. Seguramente, muitos não sabem a diferença entre lineatura e BCM. Fazem a escolha apenas pelo “sentimento” de que aquele anilox dará certo. A gestão deste item é tão importante quanto a da fábrica de tintas ou da manutenção da impressora. Neste artigo, vamos ver algumas sugestões de como reduzir custos com tintas, solventes e regravação, apenas mantendo uma rotina de limpeza de anilox.

Quando o anilox sai de máquina por qualquer razão: porque terminou o serviço ou porque entupiu, será necessária uma breve inspeção antes de seguir. É preciso que a empresa tenha montado uma sistemática organizada para gerir o inventário deste item para que ele esteja em condições quando for ser utilizado novamente. (A inspeção com microscópio garante as condições do anilox, conforme a imagem ilustrativa).

Essa sistemática ou programa de gestão de anilox começa com a inspeção do anilox. Ela mostrará alguns problemas, mesmo antes de lavar o anilox. Um microscópio então é útil e necessário. Observe no Quadro (abaixo) alguns exemplos de problemas que são detectados pelo microscópio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Muitos operadores acabam por usar um anilox com erro de gravação ou não percebem que o mesmo ficou muito desgastado depois de longo tempo. Quando se tem um sistema de gestão com rotinas de inspeção e limpeza de anilox fica mais fácil identificar e corrigir os problemas.

2 - Meça o BCM do anilox

                Para medir o BCM (Billion Cubic Mícron – bilhões de micra cúbica por polegada quadrada) do anilox, a metodologia da Pipeta é a mais precisa, mesmo nos fabricantes do produto. E a razão disso é que ela simula a real condição e função do anilox: carregar células com tinta e transferi-la para o clichê. No entanto, o método também é delicado e requer cuidados por parte de quem fará a análise. Observe:

• O método da Pipeta, o primeiro a ser desenvolvido, ainda é o mais utilizado. (Conforme imagem ilustrativa abaixo).

• Também é o que tem mais similaridade com o que realmente acontece na impressora.

• Este método, executado por operador treinado em cilindro padrão para calibração, tem uma margem de erro de +/- 5%.

                Conforme vimos, outros métodos mais sofisticados foram desenvolvidos posteriormente, por interferometria óptica, no entanto ele não consegue mensurar com precisão a quantidade de tinta que é absorvida pela porosidade da cerâmica, nem o volume de tinta sobre as paredes das células.

3 - Limpe corretamente o anilox

A limpeza correta do anilox garante que o operador não perca tempo no setup do próximo serviço. É condição fundamental que os aniloxes estejam limpos e totalmente identificados com o seu volume real. A gestão dos mesmos, fica, portanto, por fazer inspeção quando a peça chega até a empresa e depois de um período de uso na impressora. Se o anilox tiver uso contínuo, então deverá ser limpo (com limpeza química e escova de aço) toda vez que for percebido algum entupimento. Além disso, deve-se regularmente fazer também a limpeza profunda. Uma rotina boa seria de 20 a 30 dias para cada anilox que for usado continuamente.

Existem vários métodos de limpeza de anilox. É interessante que a maioria das empresas opta pelos recursos mais econômicos, naturalmente. No entanto, é preciso conhecer também os métodos e entender que há momentos de limpeza “leve” e outros de limpeza “pesada”, mas, acima de tudo, é necessária uma rotina nesse processo. Observe alguns métodos mais utilizados, a seguir.

Limpeza Química Manual

Nesse método, utiliza-se um produto químico junto de uma escova metálica com cerdas bem finas para ajudar na limpeza. Então, aplica-se o produto na superfície do anilox e deixa descansar por um tempo, dependendo do fabricante. Depois se usa a escova e finalmente se lava com bastante água. Mas normalmente não se verifica a eficácia antes de colocar o anilox em impressora novamente. Não se avalia com microscópio ou com medida de BCM antes e depois.

Lavagem Química com Máquina

                A vantagem do equipamento de lavagem de anilox é proporcionar uma limpeza eficiente e profunda, pois o mesmo trabalha com o produto químico líquido aquecido e jateado na superfície do anilox. A lavagem se dá por uma sequência de banhos e enxágues.

Limpeza com Ultrassom

                O sistema ultrassom é baseado no efeito de Cavitação, causado pela alta frequência de ondas ultrassônicas em líquido colocado no tanque da máquina. Bolhas microscópicas são formadas e elas implodem gerando a Cavitação que causa grande impacto na tinta seca dentro dos alvéolos do anilox, pulverizando-a. No entanto, a estrutura do anilox fica intacta. Adicionalmente as bolhas são pequenas, suficientes para penetrar em cada cavidade, limpando completamente o anilox.

Limpeza por Media Blaster

                No sistema por Media Blaster, um pó, que normalmente são microesferas de polietileno, é jateado em alta velocidade sobre a superfície do anilox e quebra a tinta seca que está dentro das células. No Brasil este método ainda é pouco usado, pois a maior dificuldade é encontrar o pó.

Limpeza com Laser

No mesmo equipamento que faz a gravação, pode ser ajustada a potência do Laser para limpar o anilox. O laser irá atingir somente a tinta seca nas células, vaporizando-as. É indicado para limpeza profunda e normalmente custa mais caro do que outros processos.

4 – Manuseio e armazenamento

Naturalmente, você já percebeu que não há outro jeito a não ser tratar com muito carinho o anilox. Ele é frágil e para se obter produtividade, as verificações das suas condições e superfície (se tem riscos, furos etc) é tudo que o operador e seu processo necessitam.

O armazenamento dos aniloxes pode ser feito na horizontal ou na vertical, no caso das camisas. Mas lembre-se: o armazenamento só é bom se todos os aniloxes seguirem algumas regras básicas, e vale aqui relembrá-las:

  • Só guarde os cilindros anilox com capas apropriadas.
  • Identifique de forma clara e legível o número do anilox, BCM e lineaturas para que, quando o operador necessitar, não fique procurando.
  • Só guarde anilox LIMPOS.
  • Não guarde em áreas muito quentes ou muito úmidas, pois isso pode oxidá-los ou afetar a estrutura no caso das camisas.
  • Não coloque peso sobre eles.
  • Guarde-os em lugar de fácil acesso.
  • Faça o inventário completo e limite as pessoas que terão acesso ao estoque. Designe alguém para cuidar disso.
  • Troque capas rasgadas, sujas com tinta seca na área que entrará em contato com o anilox.
  • Tenha um microscópio para inspecionar os aniloxes sempre e ver se a limpeza foi eficaz.
  • Meça o volume do anilox usando um método apropriado como o da Pipeta, por exemplo.
  • Jamais os deixe no chão ou em contato com paredes úmidas ou em péssimas condições, que estejam soltando areia ou reboco, por exemplo.

5 – Reduzindo os custos com tinta e regravação

                Fica fácil perceber que a boa manutenção melhora as condições do anilox, prolongando sua vida útil. Na prática, o resultado é retorno em dinheiro e menos aborrecimento no momento da troca de serviço. Vamos refletir: com anilox corretamente limpos e bem gerenciados, incluindo a medição correta do BCM, permite maior controle do processo e facilita a escolha do anilox correto. O resultado é a constância de processo.

                Outro fator importante é relacionado à tinta. Esta é um insumo representativo nos custos da empresa. Mas é comum encontrarmos aquelas que não limpam apropriadamente o anilox e não conhecem o BCM aplicado. Neste caso, acabam por utilizar anilox entupido e tendo de reforçar a tinta com o que ela tem de mais caro: pasta com pigmento. Ao colocar mais pigmento na tinta, acaba por encarecê-la e muitas vezes desequilibrá-la, correndo o risco de danificá-la. 

                A falta de gestão do anilox também faz com que se utilizem aqueles superdimensionados, quer dizer, aniloxes que transferem uma carga excessiva de tinta causando desperdício. Para isso, é importante entender o seguinte sobre a cor: ela satura e chega a um ponto em que não importa mais a quantidade de tinta que se usa, a cor será sempre a mesma. Para ilustrar, considere a situação quando se está pintando uma parede: vamos dizer que você queira mudar a cor de uma parede que está pintada de amarelo para a cor branca. Quantas mãos de tinta serão necessárias para cobrir o amarelo? Provavelmente com uma tinta boa, você conseguirá apagar o amarelo em apenas duas mãos de tinta. Mas não concorda que aplicar três, quatro ou mais mãos, a cor será sempre a mesma, branca? Da mesma forma, anilox em que não se faz controle do BCM ou uma gestão do inventário, pode gastar muita tinta sem necessidade gerando grandes perdas.  Recentemente, fiz testes reduzindo a carga de tinta e mantendo o mesmo padrão de cor. O resultado foi uma economia de 15% de tinta! Consegue imaginar então que há muito desperdício por aí?

                Quando se tem uma rotina de limpeza e verificação periódica, fica fácil também saber o momento certo de regravar o anilox. Isso evitaria levá-lo para regravação enquanto seu único problema fosse um entupimento. Conversei com fabricantes de aniloxes que recebem apenas aqueles com entupimento para regravação, eles avisam o cliente, mas esse insiste que deve ser regravado. Assim, uma perda entre 20% e 25% do volume nominal já pode ser gravado, mas você só saberá se medir.

                Essas são apenas algumas sugestões, mas tenho certeza que entendeu a importância de estabelecer uma rotina de inspeção, limpeza e controle do inventário, pois isso garantirá que você e sua empresa tenham sucesso sempre ao usar o anilox.

 

Referência bibliográfica:

Scarpeta, Eudes. Anilox – Manual do Usuário. São Paulo: Editora Scortecci, 2012.

 

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(*) Eudes Scarpeta

É Especialista em Processos Gráficos, Consultor e autor dos livros “Flexografia - Manual Prático” (Editora Bloco de Comunicação), “Como reduzir o setup na impressão”, 1ª e 2ª edição (Editora Scortecci) e "Anilox – Manual do Usuário" (Scortecci), além de ter artigos publicados sobre a atividade em veículos especializados. Por 10 anos foi professor de cursos técnicos no SENAI. É formado em Artes Gráficas, em Administração de Empresas e pós-graduado em Gestão Estratégica de Recursos Humanos.

 

Fonte: Revista Inforflexo edição 123 – Março/Abril de 2013

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