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SEM PADRONIZAR NÃO DÁ PARA SOBREVIVER

SEM PADRONIZAR NÃO DÁ PARA SOBREVIVER

UM DOS CAMINHOS, SE NÃO O MAIS IMPORTANTE, PARA SE MANTER NO MERCADO E AINDA CONSEGUIR ACOMPANHAR AS MUDANÇAS, PASSA PELA PADRONIZAÇÃO DE PROCESSOS

 

 

Por Jomar Henrique da Silva *

 

 

1 – Introdução

Muita coisa mudou na flexografia desde que esta era encarada como um sistema de impressão para produtos sem maiores exigências de qualidade, como os sacos multifolhados, os de ráfia e os papéis para embrulho. Ela evoluiu, buscando atender aos requisitos de qualidade que hoje os donos de marca – os usuários de embalagens – necessitam. Num mercado cada vez mais competitivo, o rápido desenvolvimento da qualidade e da tecnologia se tornou uma das maiores características do processo flexográfico. Pré-impressão digital e processos de obtenção de clichês com processadoras sem químicos, impressoras, tintas, cilindros anilox e porta-clichês mais eficientes são alguns exemplos dessa grande evolução. Embora isso seja algo marcante, o setor deve acompanhar as mudanças tecnológicas que a sociedade e o mercado exigem.

Mas, como seguir as evoluções tecnológicas, atender às exigências dos clientes, e ainda se destacar entre os concorrentes? Esta pergunta pode estar na mente de muitas pessoas, porém o real questionamento deveria ser: como se manter no mercado e ainda conseguir acompanhar as mudanças? Uma das maneiras para se alcançar esse resultado segue o caminho da padronização.

Pelo fato de a flexografia ter conseguido um espaço de destaque em diversos segmentos, especialmente no de embalagens, é extremamente importante que o convertedor se mantenha neste patamar e alcance novos desafios para atender aos mercados internacionais. Assim, a padronização do processo é essencial para que sejam alcançados esses requisitos.

2 – Padronização

O processo flexográfico compreende todas as etapas de produção da matriz de impressão (clichês), da própria impressão e dos acabamentos, além das etapas auxiliares ou secundárias, como a extrusão ou obtenção dos substratos de impressão e a preparação das tintas. Cada uma dessas etapas possui suas metas e objetivos. Estes, quando bem identificados, dão subsídios para a elaboração de padrões e procedimentos, o que não era possível perceber claramente há algumas décadas, pois cada empresa adotava seus procedimentos internos, sem olhar para o setor ou o mercado em que atuava.

Mas, esse cenário está cada vez mais sendo modificado no Brasil, por iniciativas de empresas e profissionais do setor. Uma demonstração disso é o Manual de Impressão Flexográfico1, editado pela ABTG (Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica), em 2012. Nessa publicação é possível perceber a preocupação com padrões ou referenciais que ajudam as empresas a estabelecer resultados mais adequados e, principalmente, a executar os serviços para seus clientes toda vez que for solicitado, sempre no mesmo padrão e mantendo a uniformidade.

Alguns problemas ainda são frequentes e apontam como principal causa a falta de padronização, por exemplo: variação de cor entre lotes de um mesmo produto devida à utilização de cilindros anilox com lineaturas ou BCM diferentes daqueles utilizados no lote anterior; falta de uniformidade dos lotes de matérias primas recebidas sem inspeção; problemas na reprodução de clichês, não sendo controlados os tempos de exposição e revelação, a intensidade de lâmpadas; entre outros.

O padrão é a ferramenta que determina a meta ou o objetivo a ser alcançado e a forma ou o procedimento para se realizar o trabalho de maneira que cada um possa assumir responsabilidade na execução das tarefas.

Muito se tem falado sobre ISO 9001, SGQ (Sistema de Gestão da Qualidade), TQM (Gerenciamento da Qualidade Total), entre outros, mas para garantir a padronização dos processos, quaisquer que sejam os sistemas de qualidade, alguns pontos são essenciais.

Os padrões fazem parte de nosso cotidiano. Temos uma série de requisitos e itens de referência que devem ser alcançados, afinal temos necessidades e expectativas a serem atendidas. Os padrões servem para indicar os resultados a serem alcançados, e é dessa forma que eles nos ajudam a definir os objetivos e as metas. Uma vez identificado o que se quer, já é possível desenvolver ou definir o procedimento que deve ser adotado para garantir o resultado desejado. Adotar padrões é uma das formas de garantir que a qualidade contratada será atendida.

Assim, uma boa forma de iniciar a padronização é olhar para o próprio processo, levantar a questão: como fazer o que se quer? A partir daí surgem os procedimentos. Com os objetivos, as metas e os procedimentos estabelecidos é hora de definir quais recursos (matérias primas, máquinas, insumos, pessoas) utilizar e como utilizá-los de maneira eficiente.

Um dos itens importantes para a padronização de processos, e que muitas vezes não é bem trabalhado, é a identificação das etapas críticas, pois elas podem comprometer os resultados, seja por falta de materiais adequados, seja por falta de mão de obra específica. O que se observa muitas vezes é que não houve um planejamento eficiente sobre a questão, muitas vezes devido à falta de clareza das informações.

A execução dos procedimentos estabelecidos pode e deve ser acompanhada por meio das medições e inspeções, garantindo o que se quer. Registrar sistematicamente as ocorrências é uma prática importantíssima, pois o que aconteceu em um determinado trabalho poderá servir como histórico para outro mais à frente e, assim, ajudar na solução de problemas.

Uma ferramenta muito útil para definir esses passos é o 5W1H, técnica que é muito utilizada na análise de problemas ou no planejamento de um projeto. Consiste em responder às perguntas: O quê? Por quê? Quem? Quando? Onde? Como? – de forma a definir mais claramente as informações importantes do processo ou do projeto.

3 – Divisão de funções

A divisão de funções na padronização é o tópico que mais determina o sucesso total do trabalho. Já é sabido por todos que o fator humano é a maior variável do processo. Difícil será padronizar pessoas, mas regularizar o comportamento é possível. Com base em treinamentos, grupos de trabalho e definições de papéis neste processo, a execução dos procedimentos e alcance dos resultados se tornam mais fáceis. É importante frisar que essa filosofia começa pelo topo da hierarquia organizacional e vai até último nível de sua base, de forma que cada profissional da organização saiba de sua responsabilidade para com o sucesso do programa.

4 – Normas técnicas

Uma das formas de estabelecer uma padronização é por meio das normas técnicas setoriais. No Brasil, o organismo responsável pela normalização é a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) que, em “ABNT. O que é normalização?”, a define conforme a seguir:

 

normalização é [...] “a atividade que visa a elaboração de Normas Técnicas, por meio de consenso entre produtores, consumidores e entidades governamentais”.

 

A ABNT por sua vez tem relação com a ISO (Organização Internacional de Padronização), e o Organismo de Normalização Setorial de Tecnologia Gráfica (ONS-27) é o responsável pela normalização no setor gráfico. A formação de grupos de trabalho para criação de normas técnicas na área gráfica é confiada pela ABNT à ABTG.

As normas surgem da necessidade de estabelecer padrões isentos de influências e que possam ser atendidos por qualquer empresa. Vale citar alguns exemplos de benefícios alcançados com a normalização, destacados pela CNI3 (Confederação Nacional da Indústria) em sua cartilha “Normalização - Conhecendo e aplicando na sua empresa”, que são: a utilização adequada de recursos, a uniformidade do trabalho, a melhora do nível de capacitação do pessoal, o controle dos produtos e processos, a racionalização do uso do tempo, a redução do consumo e do desperdício, o aumento da produtividade, bem como a melhoria da comunicação entre empresa e clientes.

A norma NBR ISO 12647-6 estabelece valores colorimétricos e tolerâncias para a preparação de arquivos digitais, provas e impressos em flexografia, a partir das cores de processo (cian, magenta, amarelo e preto). Dessa forma se tem um bom exemplo de como o setor flexográfico vem buscando estabelecer parâmetros que podem ser utilizados pelos fabricantes na área de impressão de embalagens e outros produtos.

5 – Conclusão

Como vimos, a padronização é uma forma de garantir os resultados desejados e de manter sua consistência e rastreabilidade, quando surgem problemas. Os padrões favorecem a identificação dos objetivos e metas, além de auxiliar na definição dos procedimentos a serem adotados. E quando esses itens estão bem definidos é necessário que todos os envolvidos estejam comprometidos para que os mesmos sejam postos em prática.

Há quem discorde do uso de padrões, uma vez que eles só existem para aquilo que é produzido mais de uma vez, no entanto, os padrões auxiliam a olhar e analisar os processos de forma mais adequada, garantindo, assim, a qualidade desejada e esperada no mercado atual, cada vez mais exigente e competitivo.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

[1] ABTG. Manual de Impressão Flexográfica. 2012. Editado pela ABTG (Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica). Disponível em versão digital no seu website: <http://www.abtg.org.br/index.php/downloads/cat_view/202-manuais-ons-27/208-manual-de-flexografia>.

2 ABNT. O que é normalização? 2006. Editado pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Disponível em versão digital no seu website: <http://www.abnt.org.br/m2.asp?cod_pagina=963#>. Acesso em: 11 fev. 2013.

3 CNI. Normalização: conhecendo e aplicando na sua empresa. 2012. Editado pela CNI (Confederação Nacional das Indústrias). 2ed. Brasília.

SILVA, W. L. V.; DUARTE, F. M.; OLIVEIRA, J. N. Padronização: um fator importante para a engenharia de Métodos. Qualit@s, v. 3, p. 1-15, 2004. Disponível em: <http://revista.uepb.edu.br/index.php/qualitas/article/viewFile/35/27>. Acesso em: 19 fev. 2013.

 

 

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Jomar Henrique da Silva (*)

Químico Industrial e Pós-graduado (lato sensu) em Química e Engenharia de Superfícies e Tintas, pelas Faculdades Oswaldo Cruz. Experiência na área de controle de qualidade e desenvolvimento de estruturas de embalagens flexíveis, em flexografia. Técnico de Ensino, na Escola SENAI José Ephim Mindlin, em Barueri, SP.

 

Fonte: Revista Inforflexo edição 124 – Maio/Junho de 2013

 

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