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DICAS E TRUQUES PARA AUMENTAR A VIDA ÚTIL DO ANILOX

DICAS E TRUQUES PARA AUMENTAR A VIDA ÚTIL DO ANILOX

Eudes Scarpeta * 

 

O CUIDADO COM ESTE PRECIOSO ITEM DA IMPRESSORA É FUNDAMENTAL NÃO SOMENTE PARA A QUALIDADE DE IMPRESSÃO, MAS TAMBÉM PARA A PRODUTIVIDADE

 

 

            O que o anilox tem de caro, ele tem de delicado. Ele já deixou você na mão na hora em que mais precisou dele, não é verdade? É provável que você já tenha passado por esta situação: testou um anilox, testou outro e justamente o que acertou a cor era aquele que tinha um risco ou um furo decorrente de uma batida. Assim, o cuidado com este precioso item, que eu chamo de "menina dos olhos da flexografia", é fundamental não somente para a qualidade de impressão, mas também para a produtividade. Por conta disso, é provável que você já tenha até deslocado todos os clichês só para evitar aquele risco ou batida incômoda no anilox. Eu já vi de tudo. Mas há muitas oportunidades para amenizar os problemas em aniloxes. Vamos ver neste artigo dois dos principais atormentadores dos operadores: furos e riscos.

Por que aparecem furos ou buracos no anilox?

            Como diz a máxima da antiga CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes): "Os acidentes não acontecem. Eles são provocados". Da mesma forma, os furos são causados pelas seguintes possíveis razões:

a)     Alguém bateu no cilindro com alguma coisa: ferramenta, carrinho ou qualquer objeto contundente ou não;

b)     Apareceu no anilox uma bolha que eclodiu e virou um furo. Provavelmente um defeito de fabricação.

Lembre-se: não existem furos (ou riscos) sem causas. Descubra quais são essas causas e as ataque ferozmente, procurando eliminar os potenciais pontos de ocorrências. No entanto, tenho boas notícias: com as dicas (a seguir) é possível reduzir drasticamente os problemas de batidas nos aniloxes. São de minha experiência no dia a dia. Espero que lhe ajudem.

            Dicas para reduzir batidas no anilox

1) Proteja o anilox. Só existem três situações em que é permitido que ele fique sem a capa protetora:

a) Durante a impressão: mesmo ao colocar o anilox na impressora, use a capa protetora, apenas removendo-a conforme a camisa anilox entre ou já esteja no lugar.

b) Durante a limpeza: obviamente para lavar o anilox não se pode usar a capa protetora, então só retire a capa no último instante, quando será preciso passar os produtos químicos ou colocá-los na lavadora.

C) Durante a inspeção: abra apenas a parte do anilox que irá inspecionar com microscópio ou sistema de micropipeta.

2) Use capas apropriadas. Todos os aniloxes novos vêm com capas apropriadas para proteção. Mas se você precisa comprar capas novas ou pretende confeccioná-las, copie ou se inspire nas capas dos fabricantes. É importante que a parte interna seja de algum tipo de feltro macio, pois mesmo que um grão de areia, por exemplo, fique preso entre a capa e o anilox, este não o riscará, porque o feltro absorverá a dureza do mesmo.

3) Evite girar a capa no anilox. Fazer movimentos com a capa no sentido longitudinal pode causar algum dano na superfície. É comum puxar a capa pela lateral do anilox.

4) Laterais quebradas. É difícil encontrar um anilox cuja lateral não esteja trincada ou quebrada. Por que isso acontece? Primeiro, porque há uma clara fragilidade nessa região, mas o principal motivo é que ao colocá-lo na máquina, no carrinho, na armazenagem, ou outro lugar, alguém sempre erra e bate a lateral. Então, tome cuidado ao colocar o anilox na máquina. Mire e acerte a entrada. Pense no seguinte: quando o bate, também se fragiliza essa área e muitas vezes o pedaço não sai imediatamente. É provável que ele saia durante a impressão! Imagine o horror que é um pedaço do próprio anilox entrar no encapsulado (doctorblade)? Com certeza dá arrepios.

5) Jamais use espátula ou estilete para limpar anilox. Muitas vezes a tinta endurece na lateral do anilox e a tendência é usar uma espátula ou outro objeto para remover essa sujeira, mas não permita que isso seja feito. Essa também é uma causa de quebras nas laterais. Para remover, a tinta endurecida use solvente mesmo. Ponha um pano com solvente de limpeza ou vá esfregando até sair, mas, acima de tudo, não deixe que o anilox chegue nessa situação.

6) Tampe os buracos. Para amenizar ou sanar esse problema, há um produto distribuído no mercado e que é uma espécie de Durepox®, porém muito dura e com a cura depois se mistura muito rápida. Serve também para esses buracos nas laterais e, principalmente, pequenos furos de alguma natureza. Obviamente que tampar o furo é uma medida paliativa, mas evita que o mesmo fique espirrando tinta durante a impressão e dá para usar naqueles serviços em que o furo não vai pegar em cima da área de impressão. E claro, poderá ser usado nos chapados brancos, já que ficam disfarçados. No caso dos furos que eclodiram, quer dizer, foi causado por uma bolha, chame imediatamente o fabricante, pois esse tipo de problema deve estar na garantia do produto.

7) Proteja as laterais da máquina. Outra forma de proteger o cilindro anilox é colocar revestimento próximo das áreas onde ele será manuseado. Isso pode ser tanto no carrinho como até na própria impressora. A solução que eu melhor achei foi colar manta de EVA. Assim, mesmo que o operador erre e bata a camisa anilox na lateral da máquina na sua colocação, por exemplo, ela estará a salvo.

 

8) Jamais deixe a camisa anilox em pé no chão. Há um momento de muita fragilidade quando o operador precisa tirar um cilindro da máquina e colocar o outro. Então ele geralmente coloca um em pé ao lado e retira o outro e faz a mesma operação com o que ele está trocando naquele momento. Se alguém ou alguma coisa derrubar essa camisa, acho que você já pode imaginar as dezenas de problemas que terá: batidas, riscos, e o próprio miolo da camisa pode se deslocar e deixar a camisa excêntrica. Há outra implicação séria com essa prática, a parte que ficou no chão certamente levará impurezas (como poeira) para dentro da máquina e que, pela Lei de Murphy[1], cairá no anilox e o riscará. Não pense que deixar os aniloxes em pé do lado da máquina seja uma economia de tempo no setup. Pode até parecer a princípio, mas não vale a pena pelo tamanho do risco que se corre. (Lei de Murphy é um adágio popular da cultura ocidental que afirma: "Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará" ou "Se há mais de uma maneira de se executar uma tarefa ou trabalho, e se uma dessas maneiras resultar em catástrofe ou em consequências indesejáveis, certamente essa será a maneira escolhida por alguém para executá-la".)

9) Só retire a proteção do anilox depois que ele estiver na máquina. Se na sua máquina o anilox entra com talha e é pesado, mantenha a proteção até ele estar na posição definitiva e só então a remova. Isso poderá evitar que ele bata nas partes das máquinas. No caso de impressora para rótulos, o mesmo raciocínio é válido, quer dizer, utilize a capa e só a retire depois. Nesses casos, o operador costuma pegar o anilox com a mão que pode estar inclusive suja de algum produto, como óleo ou graxa. É claro que isso não causa furos ou riscos, mas vai causar manchas que depois precisarão ser limpas.

10) Ao retirar o anilox da impressora, proteja-o. Mesmo que ele não esteja tão limpo quanto seria o ideal, o melhor é colocar a capa de proteção antes de retirá-lo. No caso da remoção das camisas anilox, lateralmente, puxe um pouco o anilox, encaixe a proteção e depois vá puxando e cobrindo-o.

11) Seja a pessoa mais chata ao manusear anilox. Não importa o que digam, trate o anilox como um bebê, como uma criança recém nascida: carregue-o com carinho e, de preferência, no carrinho apropriado. Sempre o proteja. Jamais deixe cair. Limpe-o cuidadosamente. Só não precisa dar mamadeira... Você entendeu né? Proteja e defenda o anilox como uma leoa defenderia seus filhotes.

12) Como líder, dê o exemplo. Se você é o líder do setor (mesmo como operador, você é líder de sua equipe de máquina), deve ser INTOLERANTE com quaisquer atos que possam colocar em risco a vida útil do anilox. Chame a atenção e corrija o erro imediatamente. Fale de modo respeitoso, mas de forma que todos entendam que você está falando sério. Crie regras rígidas para manuseio do anilox. Não é o dinheiro do patrão que está indo pelo ralo quando um anilox é danificado. É a sua competência que está sendo posta à prova.

Dicas para diminuir riscos no anilox

 

            Os riscos no anilox são provocados basicamente por: impurezas na tinta, como poeira, limalha da faca que incrustam entre ela e o anilox, defeitos na faca como má qualidade do aço e o próprio acabamento do anilox.

Mantenha a tinta limpa. Há inúmeras situações em que a tinta pode ser contamiada com pequenos corpos estranhos, como poeira, grão de areia, pedaços de metal ou plásticos, tinta seca e até insetos. Acontece que muitas vezes o balde ou mesmo o tambor fica aberto, sujeito às intempéries, inclusive ao lado da própria impressora. Então seguem as dicas:

1)     Filtre sempre a tinta antes de colocá-la na impressora. Use tela metálica de 50 micras como se fosse uma peneira. É possível comprar em lugar especializado ou mandar fazer.

2)     Sempre mantenha a tampa do reservatório, baldes e tambores fechados.

3)     Não use o pé para fechar a tampa do reservatório, por exemplo. Às vezes o operador está com as mãos ocupadas e a tentação é grande de usar o pé. Acontece que a bota está cheia de terra, pó e areia, que certamente poderá cair dentro da tinta.

4)     Use filtro magnético. Há vários modelos e empresas especializadas poderão indicar o melhor conforme o tipo de bomba e reservatório. As limalhas de aço que saem do desgaste natural da faca vão para a tinta. Pior ainda, há facas que, devido ao tipo de aço, soltam pedaços consideráveis de partículas metálicas e que, se retornarem ao sistema até o anilox, o estrago está feito.

5)     Evite subir nos grupos impressores. Durante o processo de impressão pode acontecer de o operador ou auxiliar ter que fazer alguma limpeza ou tirar borrões no grupo impressor. Então ele sobe pela escada e apoia o pé em alguma parte. Muias vezes acima do anilox que está embaixo. É evidente que cairão sujeiras diversas no conjunto doctor blade e anilox.

6)     Controle o desgaste da faca. Se não controlar o desgaste natural da faca, esta poderá gastar totalmente a parte rebaixada (da lamela) e desgastar o corpo da faca. Isso mudará os parâmetros de pressão e encosto da faca, necessitando de mais pressão e poderá riscar o anilox.

7)     Facas de plásticos. Embora pouco usadas, essas são mais suaves na raspagem, mas podem facilitar o incrustamento de alguma partícula estranha e riscar o cilindro.

8)     Riscos em aniloxes novos. Ao colocar um anilox novinho em máquina, pela primeira vez, pode acontecer de aparecerem riscos no mesmo. Se isso acontecer é evidente que pode ser a falta de alguns desses cuidados descritos anteriormente. Mas, pode ser também a própria característica de acabmento do anilox. Portanto, sempre ao colocar novos anilox, procure orientação do forncedor e, se possível, acompanhamento de algum técnico do fabricante, porque, se foram tomados todos os cuidados possíveis, os aniloxes deverão ser devolvidos ao fabricante para refazê-los dentro da garantia.

9)     No caso de banda estreita, os cuidados com baldes e reservatórios são os mesmos. Como no caso de banda estreia a raspagem é com ângulo invertido, entã, o o maior problema é a qualidade da faca que deve estar de acordo com o perfil de raspagem.

 

 

 

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 (*) Eudes Scarpeta

É Especialista em Processos Gráficos, Consultor e autor dos livros “Flexografia - Manual Prático” (Editora Bloco de Comunicação), em português, inglês, espanhol e polonês, “Como reduzir o setup na impressão”, 1ª e 2ª edição (Editora Scortecci) e "Anilox – Manual do Usuário" (Editora Scortecci), além de ter artigos publicados sobre a atividade gráfica em diversos veículos especializados. Por 10 anos foi professor de cursos técnicos no SENAI. É formado em Artes Gráficas, em Administração de Empresas e pós-graduado em Gestão Estratégica de Recursos Humanos.

 

Fonte: Revista Inforflexo edição 121 – Novembro/Dezembro de 2012



 

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