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ENTENDENDO AS ETIQUETAS ELETRÔNICAS

ENTENDENDO AS ETIQUETAS ELETRÔNICAS

Por Ronald Sagula Filho (*)

 

COMO FUNCIONAM, QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS TIPOS, AS APLICAÇÕES QUE MAIS AS UTILIZAM E COMO AS DO TIPO RFID PODEM TRAZER GRANDES GANHOS PARA SEUS USUÁRIOS

 

 

 

1 – Os principais tipos de etiquetas eletrônicas

Muitas pessoas nos perguntam sobre o funcionamento das etiquetas eletrônicas. Primeiramente, precisamos compreender o que elas querem dizer exatamente de etiquetas eletrônicas, pois sob esse nome é possível qualificar vários produtos no mercado, conforme suas possibilidades de aplicação. Vamos tratar neste artigo sobre os principais desses produtos.

1.1 – Etiquetas eletrônicas antifurto

Estas etiquetas são aquelas utilizadas em roupas, eletroeletrônicos, produtos cosméticos de alto valor, CDs, DVDs, livros, entre outros produtos. As tecnologias de detecção destas etiquetas, mais difundidas e utilizadas no mercado, são em geral três e uma especial com várias funções. O objetivo delas é proteger o comércio contra furtos de produtos. Quando estão ativadas, elas são identificadas pelas antenas localizadas nas saídas das lojas, supermercados, lojas de departamento, magazines, farmácias. É importante também ressaltar que estas etiquetas, ou tags, não identificam os produtos em que estão fixados, elas simplesmente ficam em estado de “ativada” ou “desativada”, não diferenciando se o produto é uma calça, um CD ou um livro.

As etiquetas eletrônicas antifurto são construídas com processos de laminação de uma antena ou encapsulada em um molde plástico rígido e podem ser classificadas em quatro modelos (conforme a seguir). E para cada tipo destas etiquetas e tags, existe uma grande variedade de tamanhos, formatos e aplicações especiais.

a)  Etiquetas de radiofrequência (RF): mais utilizadas em livros, eletroeletrônicos e alimentos. Sua colocação é manual e elas são descartáveis.

b)    Etiquetas eletromagnéticas (EM): com utilização mais específica em livros, revistas e periódicos. São finas e podem ser colocadas entre as páginas, tornando-as quase invisíveis. Sua colocação é manual e a etiqueta é descartável.

c)    Etiquetas rígidas acusto-magnéticas (AM): aplicadas em produtos de perfumaria, cartelas em geral ou produtos de higiene pessoal.  Sua colocação pode ser manual ou automatizada na linha de produção e elas são descartáveis.

d)    Tags rígidas de radiofrequência (RF): fixados em peças de confecções, calçados e outros acessórios. Sua fixação é manual e elas são reutilizáveis.

1.2 – Etiquetas eletrônicas de preço

As etiquetas eletrônicas de preço, fixadas em gôndolas ou prateleiras, são utilizadas para identificar o preço de cada produto em supermercados, mercearias, farmácias, lojas de departamento. Funcionam com um sistema de transmissão que identifica cada uma delas, atualiza e altera o preço por meio de um sistema interligado com o banco de dados do estabelecimento.

Atualmente, existem 2 tipos mais utilizados: as que têm mostradores LCD ou segmento e as gráficas, que são de tecnologia e-Ink ou também conhecidas como e-Paper. Elas possuem baixo consumo de bateria, são atualizadas com o mesmo preço dos caixas por um sistema de retaguarda, são fixadas em trilhos, mas podem ser retiradas e transferidas para outros produtos.

Os principais benefícios ou vantagens em relação às etiquetas de papel são a redução das operações de impressão, fixação, reimpressão e conferência em caso de perdas das etiquetas de papel que indicam o preço dos produtos. Além disso, elas eliminam as diferenças de preços que podem ocorrer devido ao grande número de itens que uma loja possa ter, em média trinta mil itens. Não são passíveis de receber auditoria ou fiscalização de entidades devido a reclamações de preços diferentes e possíveis multas ou fechamento do estabelecimento. Essas etiquetas são encontradas em três principais tecnologias de comunicação: infravermelho, rádio de baixa e alta frequências.

1.3 – Etiquetas ou Tags RFID híbridos

Por híbrido pode-se entender que há uma integração de tecnologias em um só produto e isso está muito mais presente e visível do que se possa imaginar. Atualmente existem aparelhos de celular que possuem leitores RFID com a tecnologia NFC (Near Field Communication) integrados. Esta tecnologia pode ser usada como meio de pagamento, acesso e ativação de sistemas embarcados.

No caso de etiquetas ou tags híbridos, as mais utilizadas no mercado são as composições de tecnologias, como a EAS (Vigilância Eletrônica de Mercadorias) ou simplesmente dispositivos eletrônicos de prevenção de perdas, e outras distintas, como RF/AM, RF/RFID, AM/RFID, RFID/Preço/EAS entre outras combinações. Essas etiquetas ou tags são fixadas nos produtos manualmente e, em geral, são reutilizáveis.

1.4 – Etiquetas ou Tags Chipless (sem circuito integrado, chamadas também de chip impresso ou polímero eletrônico impresso)

Esta tecnologia está em franca expansão para a produção de identificação de alto volume somente com impressão, utilizando tintas especiais condutivas e dielétricas em camadas, impressas nos sistemas gráficos atuais na produção de embalagens. Atualmente os códigos de barras são impressos nas embalagens sem custo algum para os fabricantes dos produtos e esta tecnologia busca exatamente esse objetivo, que é o de identificar produtos serialmente, distinguindo-os exclusivamente uns dos outros. Para que isso aconteça, é preciso atender às normas de identificação regidas pelos órgãos normatizadores do código de barras, GS1. O padrão atualmente utilizado identifica o país de origem, o fabricante, o código do produto, um dígito verificador e deverá também possuir um número de série único, com os padrões estabelecidos pelo órgão responsável pelo controle do EPC (Electronic Product Code – ou código eletrônico de produto), EPC Global. Essa tecnologia permitirá a identificação de todas as embalagens de produtos, hoje impressas em código de barras e que no futuro serão substituídas por estes chips.

1.5 – Etiquetas Eletrônicas RFID (Radio Frequency IDentification)

Estas etiquetas são utilizadas na identificação de produtos, peças de confecção, medicamentos, veículos, caixas, pallets, estruturas metálicas, entre outras aplicações. São fabricadas pelo processo automático de inserção de uma antena, no processo chamado de conversão de etiquetas. As etiquetas de código de barras, usadas na automação por grande parte do mercado, para identificação de caixas, pallets, produtos etc, são convertidas a partir de uma matéria-prima autoadesiva, colocada em um equipamento rotativo, onde uma ferramenta com o desenho do tamanho e detalhes desse produto é adicionada, juntamente aos moldes ou clichês para produzir uma imagem de pré-impressão, finalizando o processo de fabricação das chamadas etiquetas audoadesivas.

As etiquetas RFID são fabricadas de modo similar, onde um rolo com as antenas é introduzido no processo de conversão de etiquetas, fazendo com que cada unidade produzida possua uma antena com chip RFID sob ela. Esta antena com chip ou circuito integrado é conhecida por inlay.

Existem ainda 2 tipos de inlays para uso na conversão de etiquetas RFID: inlays sem adesivo (também chamados de dry inlay) e inlays com adesivo (chamados de wet inlay). Dependendo do conceito de construção dos equipamentos de conversão de etiquetas e tags RFID, pode-se usar tanto um quanto o outro tipo. Geralmente o inlay sem adesivo é mais econômico do que aquele com adesivo.

Há outros processos de fabricação de inlays também presentes no mercado, porém em menor volume, são eles: impressão da antena com tinta condutiva e deposição seletiva de metal por processo à vácuo, entre outros.

A produção da etiqueta eletrônica RFID requer profundo conhecimento técnico de microeletrônica, cargas estáticas, interferências eletromagnéticas, processos de conversão rotativos, entre outros conhecimentos. Os inlays são produtos sensíveis ao manuseio e requerem cuidados de pessoal capacitado e treinado, pois do contrário, podem ser danificados durante o processo de produção, caso não obedeçam às recomendações dos fabricantes.

Atualmente há um mercado em expansão para esse produto, após as iniciativas de grandes varejistas solicitarem aos seus principais fornecedores a identificação unitária de produtos. O Walmart, JCPenney, Dillard´s, Target, Macy´s, entre outras redes americanas de lojas recebem atualmente as linhas de produtos de confecção masculina e feminina, identificadas com uma etiqueta ou tag RFID, para utilização na conferência na chegadas das mercadorias nos centros de distribuições ou lojas, no inventário e também como prevenção de perdas. Em breve esta exigência será expandida para outras linhas de produtos, aumentando a produção de etiquetas e tags RFID. Aqui no Brasil, por iniciativas de redes de confecção, já se utilizam as etiquetas e tags RFID na identificação de produtos de confecção, calçados e acessórios para apontamento, controle, inventário, entre outros processos na cadeia logística.

2 – RFID – A tecnologia de identificação por radiofrequência promete trazer grandes ganhos para as empresas

A tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID) tem sido utilizada primordialmente com o objetivo de reduzir a quantidade de tempo e mão-de-obra necessária para inserir e melhorar a exatidão dos dados, proporcionando agilidade e confiança no rastreamento do produto por todo o processo.

A RFID possibilita a melhoria das práticas de reabastecimento, agilidade na leitura de itens sem proximidade do leitor, além da leitura simultânea de cerca de mil itens em apenas um segundo, propiciando melhorias na produtividade, rastreabilidade, otimização de mão-de-obra e redução de custos.

As soluções de identificação especiais RFID asseguram a utilização correta e confiável de identificação nos ativos de alto valor das infraestruturas corporativas, que devem atender às exigências estritas regulamentais de gerenciamento de inventário e rastreabilidade desses ativos em ambientes internos e externos. Qualquer que seja a necessidade de identificação e transporte de produtos ou ativos, através da cadeia de suprimento, as soluções de identificação especiais RFID oferecem, à administração da cadeia, condições para a obtenção da informação precisa do que está se movendo e quando.

A tecnologia RFID pode ser utilizada em diversas aplicações, facilitando o controle do fluxo de produtos por toda a cadeia de suprimentos e os principais beneficiários são: logística, movimentação, autenticidade do produto, rastreabilidade, inventários, transportes, prazos de entrega, aumento de vendas, redução de rupturas.

As principais aplicações, nas quais os resultados que a tecnologia pode proporcionar, são mais visíveis e incluem: identificação e rastreabilidade de ativos grandes ou pequenos de alto valor, embalagens reutilizáveis ou retornáveis, peças automotivas, ferroviárias ou de embarcações, containeres aéreos e marítimos, cargas em geral, silos, embalagens de transporte de uso único, pallet e racks de movimentação, veículos, cilindros de gás, tambores, barris de chopp, prateleiras de lojas e armazéns, ativos de aluguel, produtos durante a manufatura (WIP), ferramentas, tubulações, ativos de TI em data centers (computadores de mesa e portáteis, como lap tops, monitores, servidores, cabos, equipamentos de telecomunicações, racks e equipamentos em geral).

Existem também as tags RFID especiais para aplicações diferenciadas, como pallets e móveis em geral, vidros automotivos (parabrisas), malotes de correios, bancários e entre companhias, pneus e produtos vulcanizados, engradados e embalagens plásticas retornáveis, processos de pintura automotiva, produtos que contenham líquidos ou que estejam próximos a metais ou a situações de difícil leitura, enxovais de hospitais, de indústrias e hotelaria, uniformes, EPIs (equipamento de proteção individual), residências e estabelecimentos comerciais.

Toda empresa interessada em implantar a tecnologia de RFID deve obedecer a uma sequência de procedimentos para a seleção e aplicação das etiquetas, baseadas em experiências desenvolvidas em inúmeras implementações industriais de diversos segmentos. Esse estudo de caso é importante para que se possa conduzir um site survey completo, porque, por meio dele é que serão definidos o objetivo do negócio, o processo e as métricas para o sucesso do projeto RFID.

 

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(*) Ronald Sagula Filho

Engenheiro Eletrônico, especialista em automação de controle de processos, automação de equipamentos rotativos e impressoras flexográficas. Responsável pelo desenho e construção de equipamentos de conversão de etiquetas RFID da RR Etiquetas. É também Especialista no desenvolvimento de novos produtos autoadesivos para aplicações especiais em ambientes diferenciados, como alta temperatura, contato com produtos químicos, entre outras exigências.

 

Fonte: Revista Inforflexo edição 118 – Maio/Junho de 2012

 

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