Desde o primeiro trimestre de 2020, inúmeros desafios apresentaram-se para o setor de tintas de impressão, vernizes de sobreimpressão e vernizes de acabamento, da mesma forma que ocorreu com diversas outras atividades econômicas.
A pandemia gerou um nível inédito de incertezas, que se refletiram, em um primeiro momento, em uma previsão generalizada de queda de demanda. Com isso, muitos produtores de matérias-primas essenciais para o setor reduziram drasticamente a oferta, o que se somou à interrupção ou diminuição substancial da produção em algumas plantas ao redor do mundo, provocadas por problemas técnicos e operacionais, assim como por paradas para manutenção e até por fatores climáticos. Os pigmentos são um exemplo muito representativo dessa situação, que impacta também o acrilato de butila, o ácido acrílico, as resinas termoplásticas, as resinas epóxi, os polipropilenoglicóis, os óleos vegetais e minerais, os monômeros e oligômeros base para vernizes UV, entre outros.
O mesmo ocorreu com as embalagens de aço, plástico e papelão, cujo desequilíbrio entre oferta e demanda gerou escassez de produto e aumentos expressivos nos custos.
Os produtos do nosso setor, no entanto, foram pouco afetados nesse primeiro momento – especialmente graças ao fornecimento à indústria de alimentos. Na sequência, como ocorreu com outras indústrias que utilizam as mesmas matérias-primas, vivenciamos a rápida e imprevista retomada de parte das atividades econômicas, iniciada com o reaquecimento da economia chinesa. De acordo com nossas pesquisas de mercado, essa mudança no ritmo das atividades fez com que os preços de commodities se elevassem significativamente no mercado internacional, acima de 50% em muitos casos. No Brasil, onde a demanda também voltou a níveis próximos do normal, tal situação foi agravada pela forte desvalorização cambial: a alta do dólar no ano foi de 29,3%.
Somam-se a esses aumentos de custos de matérias-primas e insumos os problemas logísticos. A pandemia impactou as atividades portuárias e as operações de transporte em geral. Ainda há congestionamentos em portos, assim como falta de contêineres e escassez de mão de obra especializada. Isso provoca atrasos nas remessas e aumentos nos preços dos fretes marítimos – o que é extremamente danoso para setores como o nosso, que dependem, em grande parte, de produtos importados. No caso de importações vindas da Ásia, os valores de fretes chegam hoje a ser três vezes maiores do que em 2019.
Também no transporte rodoviário há ameaças de paralisações e de aumentos de fretes, em função dos reajustes nos combustíveis. Nossa indústria permanece forte e continuará produzindo e atendendo aos nossos clientes.
Estamos atentos a possíveis problemas pontuais de abastecimento e a outros impactos ao setor.
Atenciosamente,
Andréa Rosso Baladi
Presidente ABITIM – Associação Brasileira da Indústria de Tintas para Impressão





