Depois de um início de ano marcado por ajustes de produção e menor ritmo de pedidos, o setor de papelão ondulado começa a dar sinais de reação. A consultoria Fastmarkets¹ projeta crescimento de 2,6% nas expedições entre julho e dezembro de 2025, indicando uma retomada gradual da demanda, tanto no mercado interno quanto nas exportações. O movimento ocorre mesmo após um 2024 de resultados recordes, o que elevou a base de comparação e trouxe um início de 2025 mais moderado.

Os números reforçam a leitura de que o setor de embalagens, diretamente ligado à atividade industrial e ao consumo, volta a responder aos sinais de estabilidade econômica e à melhora do comércio. No exterior, enquanto os Estados Unidos enfrentam queda nas vendas e ajustes após “tarifaço”, mercados como América Latina e Europa mostram maior apetite por produtos brasileiros, especialmente os de papel reciclado e de origem sustentável.

O Grupo Mazurky, indústria do setor de embalagens de papelão ondulado – considerado um dos termômetros da economia -, acompanha a retomada com otimismo. A empresa, com sede em Mauá (no ABC Paulista), tem observado um avanço gradual nas encomendas e um ambiente mais favorável à expansão da produção no segundo semestre. “Os primeiros meses de 2025 foram de cautela, mas agora começamos a ver uma reação mais sólida do mercado. A demanda doméstica por embalagens está voltando, impulsionada pela melhora do consumo e por um cenário de custos mais estável”, afirma o CEO da Mazurky, Eduardo Mazurkyewistz.

Além do aumento no consumo interno, o avanço das exportações também tem sustentado o ritmo da produção. Segundo Mazurkyewistz, países vizinhos têm ampliado suas compras de embalagens brasileiras, especialmente em segmentos de alimentos e bens de consumo, onde há maior exigência por materiais recicláveis e sustentáveis.

“O papelão ondulado é um dos melhores indicadores da atividade econômica. Quando a indústria e o varejo se movimentam, a produção de embalagens reage imediatamente. Nossa expectativa é encerrar o ano com crescimento acima da média do setor”, complementa.